PORTUÁRIOS AMERICANOS EXIGEM, NO 1º DE MAIO, FIM DA GUERRA NO IRAQUE

Todos os 29 portos da costa do Pacífico dos EUA foram fechados no 1º de Maio pela paralisação organizada pelo Sindicato dos Portuários (ILWU, na sigla em inglês), para exigir o fim da guerra no Iraque e imediato retorno das tropas. “Já é hora de terminar com a guerra no Iraque”, afirmou o presidente do ILWU, Bob McEllrath. Entre os portos paralisados está o complexo Los Angeles-Long Beach (responsável por 40% das importações do país), e mais San Diego, Oakland, Portland e Seattle.
Em seu pronunciamento pelo 1º de Maio, McEllrath afirmou que “não ficaremos inertes enquanto nosso país, nossas tropas e nossa economia estão sendo destruídos por uma guerra que está nos levando à bancarrota ao montante de US$ 3 trilhões”. “É hora de se levantar, e nós estamos fazendo a nossa parte hoje”. A paralisação fora decidida em fevereiro em uma assembléia de delegados eleitos em todos os portos da costa oeste, e amplamente anunciada. A associação das empresas que controlam os portos da costa oeste tentou impedir o movimento, inclusive apelando para um “mediador” que proibiu a greve, em vão.
As docas ficaram vazias, enquanto os portuários se uniam às manifestações do 1º de Maio de Los Angeles a Seattle, passando por São Francisco. Na principal manifestação, o representante do ILWU, Clarence Thomas, afirmou que “este é um evento histórico, pela primeira vez na memória recente trabalhadores americanos param o trabalho para parar com a guerra”. Também discursaram o ator Danny Glover, a mãe-antiguerra Cindy Sheeham e o ex-analista do Pentágono Daniel Ellsberg, famoso pelas denúncias na Guerra do Vietnã. Representantes dos movimentos dos veteranos contra a guerra também falaram à população.
A paralisação tem, ainda, um significado de fundo: os trabalhadores dos EUA – país onde se originou a data, com os “Mártires de Chicago” – voltam a comemorar o Dia Internacional do Trabalho como no mundo inteiro, no 1º de Maio. No ano passado, as gigantescas manifestações em defesa dos imigrantes, no 1º de Maio, haviam antecipado o fenômeno. Há décadas o macartismo havia fabricado um domesticado Dia do “Trabalhador” em setembro, que só existia nos EUA, e em mais nenhum lugar. A propósito, matéria da Associated Press sobre a greve citou primeiro que os portuários “queriam comemorar o 1º de Maio” e só depois a condenação à guerra.