BALANÇO DAS NEGOCIAÇÕES DOS SALARIAIS EM 2007

DINHEIRO 10 - DINHEIRO 10

Em 2007, 96% das 715 negociações salariais analisadas pelo SAS-DIEESE asseguraram, no mínimo, a incorporação das perdas ocorridas desde a data-base anterior, resultado semelhante ao observado em 2006. É o quarto ano consecutivo em que mais de 70% das negociações analisadas conseguem repor seu poder aquisitivo quando o reajuste obtido é comparado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parâmetro tradicionalmente utilizado nas reivindicações salariais.

Desde a criação do SAS-DIEESE, em 1996, esse é o mais longo período em que predominam negociações que asseguram aumentos reais de salário. Entre 1996 e 2003, apenas por duas vezes essa proporção superou a casa dos 50%.

Estes dados encontram-se detalhados no Estudos e Pesquisas 38 - Balanço das negociações dos reajustes salariais em 2007 - que pode ser consultado em nosso sítio na internet. Os dados analisados mostram que praticamente 88% (627 documentos) dos 715 acordos e convenções coletivas conquistaram aumento real de salário, ou seja, tiveram reajuste superior à variação do INPC registrada entre a negociação anterior e a data-base de 2007. O percentual é bastante próximo ao apurado em 2006 (86%), mas é o melhor resultado de toda a série. O levantamento apurou ainda reajuste igual ao INPC, em 59 documentos, e em 29 casos, a variação foi inferior à inflação. Apesar deste desempenho positivo, a magnitude dos ganhos reais reduziu-se em comparação com o ano anterior. Em 2006, 70% dos reajustes traziam um aumento real que superava em mais de 1% o INPC. No ano passado, porém, aproximadamente 60% das negociações apontavam o mesmo ganho. Também houve queda nos reajustes que superaram 3% de aumento: de 14% para 6%.

O ano de 2007 ficará marcado como mais um período de conquistas para os trabalhadores brasileiros no campo da negociação salarial. Esses resultados favoráveis decorrem da configuração de um ambiente propício à negociação coletiva dado, entre outros fatores, pela estabilidade inflacionária, pelo crescimento econômico e pela queda nas taxas de desemprego, além da ação sindical.

Esses dados indicam que, embora o crescimento econômico seja extremamente favorável e crie um ambiente propício às negociações coletivas de trabalho, seus bons resultados ainda não foram incorporados aos salários dos trabalhadores. É neste momento que se deve pautar a necessidade de repartição dos ganhos de produtividade, através da qual os trabalhadores terão a oportunidade de elevar o patamar salarial vigente, profundamente rebaixado nas últimas três décadas.

Ressalte-se que o PIB – indicador que expressa o crescimento médio da atividade econômica nacional – pode ser tomado como referência para as reivindicações por aumentos reais dos salários, como previsto nas regras de reajuste do Salário Mínimo oficial, conquistadas pelas Centrais Sindicais e atualmente em vigor.

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